segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Nicotina

Mal consigo me lembrar da primeira tragada.
Algo aconteceu comigo, meu corpo ficou mais leve.
Depois de mais algumas a dor passou e eu consegui respirar de novo.
Não sei a razão, e nem pretendo saber, mas toda vez que eu inalava essa fumaça, eu esquecia dela.
Eu esquecia que eu estava sozinho.
Estava sozinho?
Agora não.

No começo era só quando eu me sentia mal.
No começo eu não queria me viciar.
Depois foi quando eu estava entediado.
Acordei às três e meia e já tinha me viciado.
Ela cobriu um espaço que faltava em mim. Que outras pessoas cavaram.
A dor era real.
Todos os dias, eu precisava sentir o cheiro, sentir ela me cobrindo por dentro.
Então eu percebi que não podia me viciar, e parei por completo.
Troquei de vida, mudei os hábitos, perdi o contato.

Alguns (muitos) meses se passaram com ela chamando o meu nome.
Mas eu não ouvia.
Todos ouviam, menos eu. Porque eu não queria. Porque ia me fazer mal.
Ia?
Não. Eu que sou idiota mesmo.
Acendi o isqueiro. Depois de uma longa tragada eu percebi que não posso fugir.
Ela me pegou. Me acorrentou. Eu estou preso e isso não me incomoda.

Ainda a sinto nos meus lábios, nas minhas costas, no meu peito.
Não é a nicotina.
Ela é pior que nicotina.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Carta aberta a qualquer um que estiver lendo isso

Olá.
Estou escrevendo isso pra te dizer que eu me importo. Pra dizer que você não está sozinho. Pra dizer que, se precisar conversar, eu estou aqui.

Não queria ser tão objetivo assim. Afinal, eu devo ter meus motivos. E tenho. Só que eu ainda não sei quais são. Só sei que eu me importo com você, mesmo nem sabendo quem pode estar lendo isso.

Se você quer chorar e não tem ninguém pra te consolar, dizem que o meu ombro é muito confortável.
Se você quer falar e falar e não tem ninguém pra te ouvir, eu tenho ouvidos vagos.
Se você quer conselhos, eu posso dar o meu máximo pra dizer alguma coisa decente.

Só, por favor, não diga que ninguém se importa. Porque eu me importo. Eu vejo todas essas pessoas ao meu redor sofrendo por coisas diferentes e tudo o que eu quero fazer é ajudar. Não gosto de ver ninguém mal. Não se engane, isso não é altruísmo por minha parte. Eu me sinto bem quando os outros se sentem bem, basicamente. Eu sei o que muita gente sofre e eu entendo bastante coisa. Só quero ajudar.

Então eu espero nunca mais ouvir um "não que você se importe, né" (motivo da iniciativa tomada).

Porque, sim, pessoa aleatória, eu me importo e quero ajudar. Mesmo.

Att, Maro.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A cor das borboletas quando você sorri

Eu disse oi, você respondeu.
Falei algo bobo, você ignorou.
Contei uma piada, você riu.
Eu gostei disso.
Gostei de você.

Sou só eu ou a sala tá muito quente? Não sei porque estou suando tanto.
Mãos úmidas, boca seca. Pisca, pisca, pisca. Respira. Fala alguma coisa.
Ela te acha engraçado. Pelo menos você pensa que sim.
Vai, conta uma piada. Não essa, seu retardado. Isso. Isso. Ela sorriu.
Abraça ela, cara. Calma, você não quer parecer muito grudento. Nem carente.
Opa. Opa. PARA. PARA.
Fodeu.

Eu disse oi, você murmurou.
Falei algo bobo, você riu da minha cara.
Contei uma piada, você não gostou.
O que eu fiz de errado?
Acho que você se enjoou de mim.
Relaxa, não é a primeira.

Espero que esteja tudo bem com você.
Sinto falta de conversar.
Comprei aqueles livros. Ouvi aquelas músicas.
Talvez eu comente isso com você.

Cara, eu realmente preciso me consertar.

domingo, 27 de outubro de 2013

Um poema bonitinho

pra um cara babaca bonitinho
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se eu pensasse em você
só quando me masturbasse
me masturbaria
24 horas por dia

eu tentei
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deve ser o sono
não sou tão romântica assim

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Acabou.

Recomendo que leiam essa postagem com essa música tocando no fundo.

É. Acabou. Minha série favorita... Provavelmente a melhor que eu vou ver na minha vida inteira. No momento, eu movo apenas meus dedos: mal pisco ou respiro. É um estado de choque. Uma sensação estranha, pra falar a verdade. Eu acompanhei isso desde o ano passado, esperei com toda a ansiedade do mundo esse final, e não me arrependi. De jeito nenhum.
Um final maravilhoso e lindo pra uma série sensacional.
Evoluí com os personagens. Pesquisei sobre cada detalhe encontrado ao longo do caminho. Percebi coisas que talvez só façam sentido pra mim. Não sei, Breaking Bad é o tipo de seriado que te deixa interpretar tudo do seu jeito. No final, todo mundo tem uma visão diferente. Não consigo escolher um episódio preferido, nem um personagem preferido, nem uma cena ou diálogo preferido. Eu escolho essa série como minha preferida porque nenhuma outra causou tanto impacto em mim quanto essa aí.

É agora que eu me despeço. O que resta agora? Talvez estudar... Ver outra série (The Wire rs)... Não vou me preocupar muito pois o plano nessas férias é ver tudo de novo (mais uma vez).
Adeus, Walter e Jesse, obrigado por me convidarem pra cozinhar metanfetamina com vocês...
É isso, BITCH!

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Angra e Valorização

Não há dúvidas que o rock nacional dos anos 80 e 90 fizeram história na nossa cultura. Bandas como Legião Urbana, Titãs, Raimundos, Engenheiros do Hawaii e cantores como Raúl Seixas e Cazuza marcaram o Brasil e possuem uma fama inalterável. Entretanto, na chegada do século XXI, as coisas mudaram. O rock nacional supostamente perdeu toda a qualidade, e bandas incríveis foram substituídas por uma geração mais nova, que, também supostamente, nunca iriam carregar o legado daqueles gigantes. Desde então o jovem brasileiro se distancia cada vez mais da cultura nova ao seu redor e passa a valorizar muito mais o que vem do exterior. Esse texto não é uma comparação entre as gerações, até porque nenhuma é melhor que a outra. São tempos e contextos diferentes.

É incrível como brasileiro chupa pau pra gringo. Eu, com certeza, passei maior parte da minha vida desvalorizando a música nacional e me importando apenas com bandas americanas e inglesas, e sempre as considerei melhores. Quando eu parei pra pensar, fudeu. Eu percebi que bandinhas como NxZero e Fresno eram MUITO parecidas com Simple Plan e outras merdinhas que eu ouvia. Eu xinguei Restart e Cine mas não parava pra pensar que eles seguiam o mesmo movimento que Cobra Starship e All Time Low. De onde vinha o meu direito de criticar? Era apenas por serem brasileiras? Bom, até hoje eu tenho preferência pela letra em inglês, seja por estar acostumado ou por achar que é uma língua mais articulada (porém menos trabalhada) que o português, mas isso não quer dizer que eu tinha o direito de criticar a banda pela nacionalidade.

O foco do post é sobre uma parte especial do cenário nacional: o metal. Se tem uma coisa que é difícil nesse país é tocar metal. Nacionalmente, é o estilo de música mais desvalorizado. Nego paga 500 reais pra ir ver Metallica mas não desembolsa 50 conto pra ir ver o Sepultura destruir em uma casa de show pequena. Tudo bem, é claro que os caras de lá que inventaram o movimento e etc. Mas CUSTA você ouvir, comprar o CD, a camiseta, ir pro show e valorizar os caras que, basicamente, trazem o movimento pro seu país? Cara, acontece de banda EXCELENTE de metal fazer show que aparece 200 pessoas com o ingresso lá em baixo. E depois tem filho da puta reclamando que o Brasil não produz material musical bom. É claro, tocar metal no Brasil não consegue nem pagar conta de luz, e enquanto isso, os vovôs do Iron Maiden estão comprando sofá de ouro com a discografia completa que você tem na sua estante.

Junto do Sepultura nas maiores bandas de metal do Brasil, está o Angra. Esse, que começou por volta de 1992, tem um dos maiores cantores brasileiros, André Matos, junto com os, na minha opinião, maiores guitarristas brasileiros da atualidade: Kiko Loureiro e Rafa Bitencourt. A proposta da banda era juntar música erudita e power-metal, colocando elementos clássicos da cultura brasileira no meio. A ideia é genial, como também é a banda. Apenas sintam esse solo e vocês verão do que eu estou falando. Enfim, a banda mudou de vocalista e membros, só ficaram os dois guitarristas até hoje. Angra explodiu mundo afora, principalmente no Japão (onde são mais valorizados que aqui) e recentemente voltou fazendo tour de comemoração de 20 anos do primeiro CD. Pelo menos eles estão lotando show, e isso é muito bom pro cenário ganhar força. Você pode me dizer que eles têm pouco de nacional, uma vez que cantam em inglês e etc, mas eu te digo: se eles não fizessem isso não iriam ter feito o sucesso que fizeram. Pouco importam a língua a qual os caras resolvem se expressar, o que importa é que eles vieram daqui e usam elementos da música brasileira quase em todas as músicas. Se o Sepultura não cantasse em inglês eles nunca teriam feito sucesso nos Estados Unidos e não influenciariam a cena metaleira de Iowa (sim, Slipknot é produto do Sepultura).

Enfim, caralho, deem valor pras bandas atuais brasileiras. Não vejo nada de errado com Detonautas, CPM 22, Fresno, Hateen, e o caralho de bandas desconhecidas por nós que o Brasil tem a oferecer. Na próxima vez que um amigo seu chegar e te chamar pro show de uma banda nacional, tenta dar uma chance. O ingresso quase nunca é caro e ajuda a divulgar pra dar uma ajuda pros caras. Músico precisa comer. Ah, e comprem CDs. Eu sei que hoje em dia quase ninguém faz isso, mas vale a pena. Eu paguei por um CD do Hateen e do Vowe juntos a mesma coisa que eu pagaria por um do Muse.

OBS: Aqui um desabafo do Edu Falaschi, segundo vocalista do Angra, que é a visão real do músico brasileiro. Eu concordo com muita coisa que ele falou, vale a pena ver.

OBS': Quem quiser conhecer mais o Angra, confiram essas duas músicas deles: Reaching Horizons e Unholy Wars. Dois CDs excelentes, os melhores, seriam o Angels Cry e o Rebirth.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O medo é a minha religião.

"Sabe o que é mais triste? Saber que esses dias que nós estamos vivendo serão os melhores da nossa vida".
Uma amiga minha me disse isso uma vez. Sempre me disseram isso, sempre foi verdade, mas apenas agora eu fui me tocar o quão triste isso é. O quão melancólico a efemeridade da vida humana é. Justamente agora que temos tempo e saúde, fazemos amigos e criamos laços. Coisas que provavelmente não acontecerão no futuro.
As correntes que consideramos feitas de titânio e diamante podem se tornar em areia no fundo da ampulheta, é só uma questão de tempo. Isso é apavorizante. Porque não importa quanto você ama e se importa com a pessoa hoje, as coisas mudam. Tudo muda. Decisões são feitas e acidentes acontecem. No final só restarão memórias, e memórias apenas.
O futuro me dá medo. O presente me deixa nervoso. E o passado está muito distante.
Se agora é o ápice da minha vida, por que estou aqui? Por que estou longe de quem me ama? Por que não a digo o que eu sinto? Por que tenho tanto medo de tomar atitudes, de viver?
Dúvidas.
Respostas estão no futuro, assim espero. Porém temo em consegui-las tarde demais.